Mas afinal, o que significa ser um profissional T-shaped e por que administradores com esse perfil são tão valorizados?
Este artigo explora as características desse tipo de profissional, por que ele é fundamental para o futuro da administração e como desenvolver uma carreira com essa abordagem interdisciplinar.
O que é um T-Shaped Professional
O conceito de T-Shaped Professional foi introduzido pela primeira vez na década de 1990 por David Guest e, posteriormente, adotado por empresas como IDEO e McKinsey & Company. A ideia é simples, mas poderosa: o traço vertical do "T" representa a especialização profunda em uma área específica (como finanças, marketing, logística ou RH, no caso da administração), enquanto o traço horizontal representa a capacidade de colaborar entre diferentes disciplinas, com conhecimento geral em áreas complementares.
Isso significa que um administrador T-shaped, além de dominar sua área de atuação, entende minimamente de outras áreas — como tecnologia, análise de dados, experiência do cliente, inovação e sustentabilidade — o que o torna mais adaptável, criativo e colaborativo.
Por que as empresas valorizam profissionais T-Shaped
Capacidade de trabalhar em equipes multidisciplinares
O mercado atual é movido por projetos que exigem integração entre diferentes setores e saberes. Profissionais T-shaped conseguem se comunicar com fluidez com colegas de outras áreas, contribuindo para o sucesso de equipes diversas. Em empresas que trabalham com metodologias ágeis (como o Scrum), essa capacidade é ainda mais essencial.
Visão estratégica ampliada
Administradores com habilidades interdisciplinares entendem como as engrenagens da empresa funcionam como um sistema. Isso os torna mais aptos a tomar decisões estratégicas, prever impactos em outras áreas e identificar oportunidades de melhoria.
Facilidade de adaptação e inovação
Num mercado que muda rapidamente, profissionais T-shaped se destacam por sua capacidade de aprender rapidamente, migrar entre funções e aplicar soluções criativas baseadas em diferentes contextos. Um relatório da IBM aponta que 90% dos CEOs valorizam a adaptabilidade como competência-chave para o futuro dos negócios.
Comunicação eficaz e liderança colaborativa
Com habilidades horizontais bem desenvolvidas, administradores T-shaped têm mais facilidade para liderar projetos, mediar conflitos e alinhar diferentes áreas em torno de objetivos comuns — características altamente valorizadas em cargos de gestão.
Quais habilidades compõem o traço horizontal do T?
O traço horizontal é formado por um conjunto de competências amplas que permitem o trânsito entre áreas. Algumas das mais buscadas no perfil do administrador moderno incluem:
Pensamento crítico e analítico
Inteligência emocional
Comunicação interpessoal
Gestão de projetos
Noções de tecnologia e análise de dados
Visão de negócios e empreendedorismo
Criatividade e resolução de problemas
Sustentabilidade e responsabilidade social
Essas habilidades, quando combinadas com uma base sólida em administração, transformam o profissional em um ativo estratégico para qualquer empresa.
Desenvolvendo o perfil T-Shaped na carreira em administração
Ser um profissional T-shaped não exige dominar todas as áreas, mas sim ter abertura para aprender e colaborar além da sua zona de conforto. A seguir, veja dicas práticas para desenvolver esse perfil:
Aprofunde-se na sua área principal (traço vertical)
Tenha domínio técnico e estratégico sobre sua área de atuação. Seja ela gestão financeira, RH, marketing ou operações, é importante ser referência e entregar resultados consistentes.
Busque experiências fora da sua área de conforto
Participe de projetos interdepartamentais, envolva-se com equipes de inovação, proponha melhorias em setores paralelos ao seu. Isso amplia sua visão e cria conexões valiosas.
Invista em formação contínua
Cursos complementares de curta duração, como marketing digital, análise de dados, UX, tecnologia, liderança, entre outros, ajudam a construir um repertório interdisciplinar.
Consuma conteúdos de diferentes áreas
Leia livros, ouça podcasts e acompanhe notícias que não sejam apenas da sua área. Isso ajuda a desenvolver uma visão de mundo mais abrangente e capacidade de conexões criativas.
Pratique a escuta ativa e o diálogo com outros setores
A colaboração eficaz nasce do entendimento. Ouça mais, pergunte, entenda os desafios de outras áreas e contribua com soluções mesmo fora da sua função original.
Casos reais de sucesso com T-Shaped Professionals
Spotify: a empresa organiza seus times em “squads” multidisciplinares, onde cada integrante domina uma área, mas é capaz de colaborar em outras. Isso acelera a inovação e melhora a entrega de soluções ao cliente.
Natura: a gigante brasileira de cosméticos valoriza profissionais com visão ampliada, que entendam de sustentabilidade, marketing, produção e logística ao mesmo tempo. O perfil T-shaped é parte do processo seletivo para cargos de liderança.
Google: na seleção para cargos estratégicos, o Google avalia a “learnability”, ou seja, a capacidade de aprender novas áreas com agilidade, característica presente nos T-shaped.
T-Shaped x I-Shaped x Comb-Shaped: uma evolução
Além do T-shaped, surgiram outros perfis profissionais. O I-shaped representa a pessoa altamente especializada em uma única área, mas com pouca abertura para colaboração interdisciplinar. Já o Comb-shaped apresenta várias especializações verticais, ou seja, o profissional tem profundidade em mais de uma área, o que é mais raro e ainda mais valorizado.
Embora o I-shaped ainda seja necessário em áreas muito técnicas, o perfil T-shaped é o mais adaptável para cargos administrativos, de liderança e inovação.
Conclusão
A era da especialização isolada está dando lugar à era da conexão. Profissionais T-shaped são peças-chave para empresas que desejam crescer com inovação, colaboração e inteligência estratégica. No campo da administração, essa abordagem torna o gestor mais completo, preparado para lidar com diferentes desafios e capaz de gerar valor além de sua função original.
Ao desenvolver o perfil T-shaped, administradores não apenas ampliam sua empregabilidade, mas também se tornam protagonistas da transformação dentro das organizações. A interseção entre profundidade e amplitude é, sem dúvida, o caminho para o futuro da liderança empresarial.
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