Mais do que uma tendência, a gestão por propósito tem se mostrado um diferencial competitivo. Empresas que operam com uma causa clara e autêntica geram mais engajamento interno, maior fidelidade do consumidor e, surpreendentemente, melhores resultados financeiros. Mas por que isso acontece?
Dados que comprovam a força do propósito
Estudos recentes mostram que o propósito impacta diretamente os indicadores-chave de desempenho. Um levantamento global da consultoria EY em parceria com a Harvard Business Review revelou que 58% das empresas com propósito bem definido cresceram 10% ou mais ao ano, mesmo em mercados voláteis.
Já a Deloitte aponta que organizações orientadas por propósito têm 40% mais chances de atrair e reter talentos, enquanto a McKinsey afirma que esse tipo de gestão contribui para aumentos de produtividade de até 30%, especialmente quando os colaboradores se sentem conectados com o significado do trabalho.
No Brasil, segundo uma pesquisa do Instituto Akatu e do Instituto Ethos, 72% dos consumidores preferem comprar de marcas que demonstram preocupação com causas sociais, ambientais ou éticas. Isso mostra que, além de resultado interno, o propósito fortalece o vínculo com o público externo.
Como o propósito impacta a performance da equipe?
A gestão por propósito não é um conceito abstrato — ela atua no nível mais humano da organização: o significado do trabalho. Em vez de “trabalhar para ganhar salário”, os empregados passam a enxergar que suas atividades fazem parte de algo maior.
Isso tem efeitos práticos:
Redução do turnover: pessoas que se identificam com a missão da empresa tendem a permanecer mais tempo.
Maior engajamento: equipes engajadas produzem mais e com mais qualidade. Um estudo da Gallup mostra que empresas com alto engajamento têm 21% mais lucratividade.
Tomada de decisão mais rápida e alinhada: o propósito funciona como uma “bússola”, guiando atitudes mesmo diante de incertezas.
Empresas com propósito lucram menos? Pelo contrário.
É comum o equívoco de que ter uma causa torna a empresa “menos comercial”. Mas empresas orientadas por propósito têm, na verdade, clientes mais fiéis e dispostos a pagar mais por seus produtos e serviços.
Veja alguns exemplos de empresas com causa clara:
Patagonia: marca de roupas outdoor com forte ativismo ambiental. Mesmo com preços altos, mantém margens de lucro superiores à média do setor.
Natura: reforça causas sociais e ambientais em toda a sua cadeia de produção. Em 2022, cresceu mais de 20% e segue como uma das empresas brasileiras mais admiradas.
Magalu: aposta no empoderamento feminino e inclusão digital como pilares da marca. A clareza do propósito impulsionou campanhas de alto impacto e valorização da marca.
Portanto, empresas com causa não apenas lucram — elas crescem com mais sustentabilidade e reputação positiva.
Como implementar a gestão por propósito na prática?
Ter um propósito colado na parede não é suficiente. A gestão por propósito só funciona quando está enraizada na cultura e nas decisões do dia a dia. Veja como começar:
1. Defina (ou redescubra) seu propósito real
Não é o que a empresa vende, mas por que ela existe. Pense além da lógica de mercado. Qual transformação positiva sua empresa deseja gerar no mundo?
Exemplo: “Queremos ser a melhor fábrica de biscoitos” (fraco) vs “Queremos gerar momentos de afeto através da alimentação” (forte).
2. Comunique o propósito com autenticidade
O propósito precisa ser verdadeiro, inspirador e comunicado com consistência para empregados, fornecedores, parceiros e clientes. Nada de “greenwashing” ou marketing vazio.
3. Alinhe processos e metas ao propósito
Se sua empresa defende inovação, mas pune o erro, há um desalinhamento. Se promove sustentabilidade, mas gera desperdício internamente, o discurso cai por terra. A coerência é tudo.
4. Envolva os empregados na construção
Empregados engajados ajudam a manter vivo o propósito. A escuta ativa e o incentivo à participação geram pertencimento e motivação.
5. Avalie e ajuste continuamente
Assim como qualquer estratégia, a gestão por propósito exige indicadores, revisões e adaptação. Use pesquisas internas, análise de clima e feedbacks dos clientes para ajustar a rota.
Tendências: propósito como motor de inovação
Empresas com causa também inovam mais. Segundo a PwC, organizações que operam com propósito claro são 80% mais propensas a criar produtos ou serviços que atendem novas demandas sociais.
Isso acontece porque o propósito abre espaço para olhar além dos lucros imediatos, identificando oportunidades onde outros veem apenas risco. É o caso de empresas que desenvolveram soluções para comunidades vulneráveis, reduziram o impacto ambiental da cadeia ou criaram novos modelos de negócio baseados em impacto positivo.
Ou seja, o propósito pode ser um motor estratégico de diferenciação e inovação, não apenas um discurso bonito.
Gestão por propósito e ESG: aliados estratégicos
A sigla ESG (Environmental, Social and Governance) ganhou força globalmente como critério de responsabilidade corporativa. Empresas que integram boas práticas ambientais, sociais e de governança estão mais preparadas para o futuro — e o propósito é a cola que une esses três pilares.
Investidores, clientes e talentos estão mais atentos do que nunca ao impacto das empresas no mundo. Incorporar propósito à gestão é alinhamento com o novo capitalismo, onde o lucro deve vir acompanhado de legado.
Conclusão: o propósito como vantagem competitiva
A gestão por propósito deixou de ser uma escolha estética e passou a ser uma necessidade estratégica. Empresas que operam com uma causa clara se tornam mais resilientes, humanas, admiradas e lucrativas.
Não se trata de romantismo, mas de resultado: colaboradores engajados, consumidores fiéis, processos mais alinhados, inovação constante e reputação sólida.
Se você ainda enxerga o propósito como “coisa de ONG” ou “marketing bonitinho”, talvez esteja deixando dinheiro (e impacto) na mesa.
A pergunta não é mais “ter ou não ter propósito?”, e sim: como alinhar propósito e gestão para crescer com coerência, consciência e consistência.
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