Eventos como chuvas extremas, ressacas marítimas e aumento do nível do mar já afetam o cotidiano de milhares de pessoas e colocam em risco a operação de empresas, o turismo e o desenvolvimento urbano. Neste cenário, o papel do administrador torna-se fundamental na formulação de estratégias de mitigação, adaptação e governança para garantir a continuidade e resiliência dos negócios.
Por que a Baixada Santista é vulnerável?
A localização geográfica da região, marcada por áreas de planície costeira e proximidade com o mar, torna municípios como Santos, São Vicente e Praia Grande especialmente suscetíveis a inundações, deslizamentos e ressacas. Segundo estudo da Fundação SOS Mata Atlântica, o litoral paulista já apresenta sinais de elevação do nível do mar, o que agrava os riscos para a infraestrutura urbana, portos e zonas industriais.
Dados do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) indicam que os eventos extremos serão mais frequentes e intensos nas próximas décadas. Para uma região que concentra operações logísticas críticas para o país, esses riscos precisam ser tratados de forma estratégica.
O papel do administrador na mitigação de riscos
O administrador moderno não é apenas gestor de processos, mas também um agente estratégico na tomada de decisões que envolvem sustentabilidade e resiliência. Na prática, isso significa:
Implementar planos de contingência que contemplem interrupções causadas por eventos climáticos.
Investir em mapeamento de riscos ambientais, em parceria com geógrafos, engenheiros e meteorologistas.
Integrar a análise climática no planejamento estratégico de empresas, especialmente aquelas que dependem de logística e transporte.
Criar planos de continuidade de negócios (BCP – Business Continuity Planning) que reduzam o impacto de paralisações.
Planejamento de contingência para setores estratégicos
Portos: O Porto de Santos, principal ativo logístico da região, já opera próximo de sua capacidade e é altamente sensível a inundações e ressacas. Administradores ligados a terminais portuários precisam avaliar planos de evacuação, comunicação em crise e alternativas operacionais em caso de fechamento temporário do canal de navegação.
Turismo: As cidades litorâneas da região vivem sazonalmente do turismo de verão. Alagamentos e riscos climáticos podem gerar prejuízos econômicos relevantes. O administrador pode atuar na construção de rotas de mobilidade alternativa, estratégias de hospedagem em situações emergenciais e campanhas preventivas.
Setor imobiliário: Incorporadoras e construtoras precisam incluir a variável climática em seus estudos de viabilidade. Aqui, o administrador pode atuar no suporte à análise de risco de localização, sustentabilidade de empreendimentos e comunicação transparente com investidores e compradores.
Continuidade de negócios diante de crises ambientais
A aplicação de um Plano de Continuidade de Negócios (PCN) é uma prática que deve ser integrada à cultura corporativa. O administrador é o responsável por garantir que todos os setores da empresa compreendam:
Os riscos prioritários relacionados ao clima.
As ações emergenciais a serem tomadas.
Os canais de comunicação internos e externos.
A recuperação da operação em curto, médio e longo prazo.
Empresas que atuam no setor logístico e industrial, especialmente na região portuária, devem manter equipes treinadas e protocolos claros. Além disso, é preciso mapear fornecedores críticos e identificar rotas e alternativas operacionais seguras.
Governança ambiental: um novo olhar para a administração
Mais do que uma exigência legal ou de compliance, a governança ambiental se tornou um diferencial competitivo. Administradores que lideram processos de sustentabilidade e adaptação climática são cada vez mais valorizados.
Na Baixada Santista, isso passa por:
Fomentar parcerias público-privadas para investimentos em infraestrutura verde.
Atuar na articulação com entidades como CODESP, CETESB e prefeituras locais.
Promover o uso de indicadores ESG (Ambiental, Social e Governança) como parte da gestão estratégica.
Engajar comunidades, investidores e o setor produtivo em ações colaborativas.
Educação, inovação e ação regional coordenada
A construção de uma região mais resiliente ao clima exige também o fortalecimento do capital humano. Instituições de ensino e associações como a ADESAN podem oferecer formação contínua sobre gestão de riscos, sustentabilidade e inovação para administradores.
Exemplos de inovação incluem:
Utilização de big data e sensoriamento remoto para monitoramento em tempo real de áreas de risco.
Parcerias com startups de impacto socioambiental para soluções locais.
Criação de laboratórios de inovação pública e privada voltados à gestão costeira.
Caminhos possíveis para 2026
Até 2026, os administradores da Baixada Santista precisarão estar preparados para atuar de forma multidisciplinar. Segundo dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria), 82% das empresas brasileiras reconhecem que a mudança climática terá impacto direto em seus negócios nos próximos cinco anos. Ainda assim, menos da metade possui planos estruturados de adaptação.
Na prática, o administrador da nova era deve reunir competências em:
Análise de dados e cenários climáticos.
Planejamento urbano e territorial.
Comunicação em gestão de crises.
Liderança em sustentabilidade corporativa.
Considerações finais
A gestão de riscos climáticos não é mais uma pauta futura — é uma urgência presente. Na Baixada Santista, onde a infraestrutura portuária e urbana se encontra diretamente com o avanço do mar e as mudanças climáticas, os administradores têm um papel de liderança na criação de soluções resilientes, humanas e sustentáveis.
Ao integrar conhecimento técnico, visão estratégica e sensibilidade ambiental, esses profissionais podem transformar ameaças em oportunidades, conduzindo a região a um modelo de desenvolvimento mais seguro, inclusivo e preparado para o futuro.
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