Em 2026, administradores que compreendem as oportunidades geradas por essa vocação territorial estão à frente de uma nova onda de crescimento. A atuação desses profissionais vai muito além da gestão interna de empresas: envolve planejamento territorial, articulação institucional e visão estratégica de longo prazo.
O que é Economia Azul?
Economia Azul é o termo utilizado para descrever atividades econômicas que utilizam de forma sustentável os recursos dos oceanos, mares e zonas costeiras. Ela abrange desde o transporte marítimo, pesca e turismo náutico até setores emergentes como energia renovável offshore, biotecnologia marinha e reabilitação de ecossistemas.
Segundo dados da OCDE, a Economia Azul movimenta globalmente mais de 1,5 trilhão de dólares por ano, com expectativa de dobrar até 2030. No Brasil, sua aplicação prática se concentra principalmente em regiões litorâneas como a Baixada Santista, onde infraestrutura portuária, vocação turística e biodiversidade marinha se encontram.
Cadeias produtivas ligadas ao porto e à logística marítima
O Porto de Santos movimenta cerca de 30% da balança comercial brasileira. Isso significa que milhares de empresas — desde operadoras logísticas até transportadoras, indústrias exportadoras, despachantes aduaneiros e operadores de armazéns — compõem uma complexa cadeia produtiva conectada ao mar.
Administradores inseridos nesse ecossistema têm papel crucial na otimização de processos, redução de custos logísticos, adoção de práticas sustentáveis e melhoria da competitividade regional. O domínio de ferramentas de planejamento, análise de dados e gestão de riscos se torna essencial para liderar nesse cenário dinâmico e regulado.
Além disso, há espaço para crescimento no turismo de cruzeiros, que vem se recuperando após os impactos da pandemia. Administradores que atuam em hotelaria, entretenimento, alimentação e serviços náuticos podem capitalizar esse movimento, desenvolvendo experiências integradas para turistas nacionais e internacionais.
Inovação e sustentabilidade nos negócios marítimos
A Economia Azul está diretamente ligada à inovação e à sustentabilidade. Com o avanço da regulação ambiental e da pressão por ações ESG (ambiental, social e de governança), empresas que atuam no setor marítimo precisam se adaptar a um novo modelo de negócios.
Gestores estratégicos têm a missão de:
Promover a economia circular na indústria pesqueira e náutica.
Implantar sistemas de monitoramento ambiental em tempo real.
Estimular o uso de combustíveis alternativos na navegação.
Criar produtos e serviços com base em biotecnologia marinha.
Buscar certificações ambientais para fortalecer a reputação da empresa.
Esse novo mindset transforma o administrador em um agente de mudança. Sua atuação deixa de ser operacional e passa a conectar inovação, responsabilidade social e valor econômico de forma integrada.
O administrador como articulador entre setor público e privado
Um dos diferenciais da Economia Azul é seu caráter transversal. Ela exige interação constante entre empresas privadas, órgãos públicos, universidades, associações e comunidade local. Administradores com visão sistêmica e habilidades de articulação institucional têm um campo vasto de atuação em projetos multissetoriais.
Parcerias público-privadas (PPPs) para requalificação de áreas costeiras, gestão de resíduos portuários, educação ambiental e desenvolvimento de infraestrutura náutica são exemplos de iniciativas que requerem capacidade técnica e habilidade de negociação.
Organizações como a ADESAN podem fortalecer esse movimento, atuando como ponto de encontro entre diferentes agentes econômicos e oferecendo formação continuada, networking qualificado e articulação com políticas públicas voltadas ao desenvolvimento regional.
Desenvolvimento regional com base na vocação marítima
Desenvolver uma região com base em sua vocação é uma das estratégias mais eficientes de planejamento territorial. A Baixada Santista, com nove municípios integrados por infraestrutura rodoviária, ferroviária e portuária, tem uma vantagem competitiva natural para liderar a Economia Azul no Brasil.
Municípios como Santos, Guarujá, São Vicente e Cubatão podem, cada um, explorar diferentes vertentes dessa economia. Enquanto Santos concentra a operação portuária, Guarujá pode expandir o turismo náutico e a aquicultura. Já Cubatão, com seu parque industrial, tem capacidade para desenvolver tecnologias limpas e inovação logística.
Administradores com sensibilidade territorial e conhecimento das cadeias produtivas locais podem contribuir diretamente para o crescimento sustentável da região, seja atuando em empresas, órgãos públicos ou instituições do terceiro setor.
O papel das associações como a ADESAN na formação de lideranças
A formação de administradores preparados para atuar na Economia Azul passa também pela atuação das entidades de classe. Associações como a ADESAN têm papel essencial na:
Criação de programas de capacitação voltados à gestão costeira.
Promoção de eventos e fóruns de debate sobre Economia Azul.
Conexão entre empresas e profissionais da região.
Produção de conteúdo técnico e estratégico sobre temas emergentes.
Representação da categoria junto a iniciativas de planejamento regional.
Ao se posicionar como ponte entre academia, mercado e setor público, a ADESAN fortalece o papel do administrador como protagonista da nova economia do mar.
Conclusão
A Economia Azul não é apenas uma tendência — é uma realidade que se consolida ano após ano. E na Baixada Santista, essa realidade
ganha contornos ainda mais relevantes. A gestão estratégica ligada ao mar exige profissionais capacitados, sensíveis ao contexto regional, inovadores e comprometidos com o desenvolvimento sustentável.
Administradores que se posicionarem nesse cenário terão diante de si um campo fértil para atuação, geração de impacto positivo e crescimento profissional. A ADESAN, como catalisadora desse movimento, reforça seu papel como voz ativa de uma categoria essencial para o futuro da região.
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