Embora invisíveis aos olhos e ausentes nos balanços contábeis tradicionais, eles exercem influência direta sobre o valor de mercado, a retenção de talentos e a confiança dos stakeholders. A grande pergunta é: como administrá-los com precisão e mensurar seu impacto?
Em 2026, administrar intangíveis será um diferencial competitivo crucial. Empresas que ignorarem esse novo paradigma podem até apresentar bons números no curto prazo, mas dificilmente construirão marcas sólidas e duradouras. Neste artigo, vamos explorar como os gestores podem mensurar e usar esses ativos como ferramentas estratégicas.
O que são ativos intangíveis?
Ativos intangíveis são elementos não físicos que contribuem para o valor e a performance da organização. Eles incluem conhecimento, marca, cultura, relações com clientes, inovação, liderança, propósito e reputação. Apesar de não aparecerem nos balanços contábeis de maneira tradicional, sua ausência pode ser sentida no clima organizacional, na experiência do cliente ou na percepção de mercado.
A McKinsey estima que mais de 50% do valor de mercado de empresas líderes está relacionado a ativos intangíveis. Já um estudo da PwC indica que organizações com forte propósito e reputação possuem até 3 vezes mais chances de atrair e reter talentos em um mercado competitivo.
Cultura organizacional: a espinha dorsal da performance
Cultura não é “o que está na parede”, mas “o que acontece quando ninguém está olhando”. Ela se expressa por meio de hábitos, decisões, padrões de comportamento e até pelo que é tolerado ou recompensado no dia a dia.
Embora pareça subjetiva, a cultura pode (e deve) ser medida. Algumas formas de fazer isso:
Pesquisas de clima e engajamento: ferramentas como Gallup Q12, GPTW ou pesquisas internas customizadas oferecem indicadores claros sobre o sentimento dos empregados.
Turnover voluntário: altas taxas de saída voluntária geralmente indicam desalinhamento cultural ou insatisfação com o ambiente.
Análise de rituais e processos internos: frequência de feedbacks, práticas de reconhecimento, canais de escuta ativa e diversidade nas lideranças refletem a maturidade da cultura.
Indicadores de inovação: número de sugestões implementadas, ciclos de melhoria contínua e testes A/B também sinalizam abertura cultural à experimentação.
O papel do administrador é criar, fortalecer e ajustar a cultura conforme os objetivos estratégicos. Não existe cultura ideal, mas sim cultura coerente com o propósito da empresa.
Propósito: a bússola estratégica da nova gestão
Empresas com propósito claro crescem mais rápido, retêm mais talentos e constroem conexões emocionais mais profundas com seus públicos. Segundo estudo da Harvard Business Review, companhias que operam com forte senso de propósito superam o mercado em até 42% em termos de retorno sobre capital investido.
Mas como mensurar algo tão subjetivo?
Índice de alinhamento institucional: mede o quanto empregados e lideranças compreendem e praticam o propósito da empresa em sua rotina.
Net Promoter Score Interno (eNPS): mede o nível de recomendação dos empregados sobre trabalhar na organização. Altas notas sinalizam identificação com a missão e valores.
Análise semântica de comunicações internas e externas: o quanto o discurso (institucional e dos líderes) está alinhado com os valores e o propósito definidos.
KPI de projetos com impacto social ou ambiental: quantidade, investimento e resultados de ações voltadas para o bem comum, que reforçam o alinhamento entre discurso e prática.
Administradores devem ir além do marketing institucional e garantir que o propósito esteja embutido nas decisões, nos produtos e nos comportamentos internos.
Reputação: a moeda mais valiosa do século XXI
Reputação é o que o mercado diz sobre sua empresa quando você não está na sala. Ela é construída a partir da soma das percepções sobre a marca, a experiência do cliente, a postura da liderança e o comportamento da empresa em situações críticas.
Mais do que likes, a reputação se reflete em confiança. E confiança impacta diretamente os resultados. Empresas com boa reputação têm melhor acesso a crédito, atraem parcerias estratégicas e enfrentam crises com maior resiliência.
Como medir?
Brand Index: pesquisas de percepção de marca com clientes e não-clientes avaliam atributos como confiança, inovação e responsabilidade.
Sentimento em redes sociais: com ferramentas de social listening (como Brandwatch, Sprout Social ou Hootsuite), é possível acompanhar menções e o tom das conversas online.
Cobertura midiática: a análise de reportagens, menções em imprensa e presença em rankings pode mostrar como a empresa é vista por formadores de opinião.
Índice de reclamações e resoluções: número de reclamações em sites como Reclame Aqui, tempo de resposta e satisfação pós-atendimento influenciam diretamente a imagem pública.
Reputação é volátil, por isso requer vigilância constante, coerência nos posicionamentos e gestão de riscos de imagem.
Ferramentas e indicadores para integrar intangíveis à gestão
Transformar intangíveis em dados úteis exige estrutura, metodologia e consistência. Algumas ferramentas podem ajudar:
Balanced Scorecard (BSC): permite incluir indicadores de cultura, propósito e reputação no mapa estratégico da organização.
OKRs com métricas culturais: incorporar objetivos como "melhorar o engajamento da equipe" ou "ampliar a percepção positiva da marca" com metas quantitativas.
People Analytics: cruza dados de RH com performance e comportamento para entender padrões, prever evasão e identificar lideranças informais.
Dashboards integrados: plataformas que centralizam KPIs quantitativos e qualitativos, possibilitando análises multidimensionais sobre os intangíveis.
A chave é garantir que esses indicadores não fiquem isolados. Eles devem ser usados na tomada de decisão, em comitês estratégicos e nos rituais de gestão.
Conclusão: o invisível que gera valor
Cultura, propósito e reputação não são “perfumaria corporativa” — são os verdadeiros motores da sustentabilidade de uma organização no longo prazo. Embora sejam intangíveis, seu impacto é absolutamente real.
O administrador do futuro não pode ignorar esses ativos. Ao contrário: deve dominá-los, integrá-los à gestão e traduzi-los em vantagem competitiva. Isso exige sensibilidade humana, fluência em dados e coragem para liderar com coerência.
Em um mundo onde o tangível pode ser copiado rapidamente, o diferencial está no que não se vê — mas se sente. Medir, monitorar e cultivar o intangível é, mais do que uma tendência, uma necessidade estratégica.
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